Estudo de Caso: Armazenar ou Vender Físico e Comprar Call na Bolsa?

Armazenar uma commodity com intuito de vender ela mais cara no futuro é uma estratégia muito usual, neste texto vamos mostrar uma alternativa que na maioria das vezes apresenta melhor custo x benefício e fornece proteção contra queda.

Para isto, vamos utilizar exemplo real de um produtor na região de Primavera do Leste-MT. Em janeiro desde ano ele queria segurar[1] o milho físico para acompanhar possível alta entre meses de abril e maio, ele iria renovar o serviço de armazenagem nas seguintes condições:

Custo Armazenagem:

  • De janeiro a abril de 2018: custo de R$ 1,75 por saca
  • Após abril: custo mensal de R$ 0,25 por saca

Observação: estamos desconsiderando a quebra técnica[2].

Cotação Milho na Época:

  • Primavera do Leste: R$ 19,00
  • Milho BM&F[3]: R$ 33,65

Uma alternativa à armazenagem é vender o físico e no mesmo dia comprar um seguro para acompanhar valorização do milho na bolsa, mais conhecida como call.

Se você não está familiarizado com termos call e put, recomendo a leitura deste texto: Como Proteger Preço Agrícolas no Mercado de Opções.

Antes de entrar em detalhe sobre esta estratégia, primeiramente vamos analisar os riscos de armazenar o físico para acompanhar alta, como era ideia do cliente.

Quando produtor opta pela armazenagem com intuito de acompanhar alta, ele automaticamente está assumindo risco de preço, ou seja, se preço da commodity cair, ele perde dinheiro visto que venderá mais barato.

Além disto, o produtor também assume o custo de carrego, tais como perda de qualidade, custo do dinheiro no tempo, desastre, calote, etc. Destes, o que tem maior impacto na atividade operacional é o custo do dinheiro, os demais não são tão recorrentes na atividade.

A estratégia que estamos apresentando aqui, tem objetivo de proteger o risco da desvalorização da commodity (risco do preço) e dar a possibilidade ao produtor acompanhar alta total ou parcial do produto sem assumir os demais riscos.

Vamos mostrar duas estratégias mais simples e utilizadas com mais frequência (i) compra de call e (ii) compra de call spread. Em ambas, o produtor vende o físico e compra uma das opções acima.

No dia que conversamos com cliente, cotamos as seguintes estruturas:

  1. Compra de call no strike R$ 33,50: produtor tem o direito de acompanhar alta total do milho maio negociado em bolsa a partir dos R$ 33,50 custando R$ 1,59 por saca.
  2. Compra de call spread consiste na compra de uma call no strike R$ 33,50 e venda de uma call no strike R$ 37,50: produtor tem o direito de acompanhar alta de 33,50 até 37,50 custando R$ 1,04 por saca.

A cotação atual[4] do contrato de milho vencimento maio (CCMK18) está em R$ 39,66.

Na estratégia (i), ao comprar a call o cliente ficou com direito de comprar milho maio a R$ 33,50 e para isto teve que pagar R$ 1,59 por saca no início da operação. Se o contrato de maio estiver acima de R$ 33,50 o cliente acompanha alta total, caso fique abaixo de R$ 33,50 no vencimento só há perca do prêmio.

Observando a cotação atual, a primeira operação está apresentando o seguinte resultado 39,66 – 33,50 – 1,59 = R$ 4,57 por saca caso finalize ela hoje.

Esta estratégia é recomendada para quem acredita que mercado terá valorização expressiva, como a que aconteceu recente.

A estratégia (ii) é uma combinação de duas calls, se faz isto com intuito de reduzir o custo. Nela o cliente tem ganho limitado nos 37,50, sendo assim o resultado hoje da operação seria 37,50 – 33,50 – 1,04= R$ 2,96 por saca.

Esta estratégia é recomenda para mercados com expectativa de valorização não tão expressiva e para vencimentos próximos.

Perceba que a primeira estratégia possui custo maior que a segunda, isto ocorre porque a segunda possui um limitador de ganho nos 37,50, ou seja, acima deste patamar o produtor não acompanha mais a valorização.

Se compararmos as duas estratégias com opções em relação ao armazenando, a compra da call ficaria 9,14% mais barata e call spread 40,57% mais barato (ganho limitado).

Vale destacar que, com a venda do físico o produtor pode aplicar os recursos no CDI recebendo juros diariamente, ou então, ganhar descontos na antecipação de empréstimos, financiamentos, compras à vista, etc. Assim, além de gerenciar o risco de preço, o produtor gerencia de maneira mais eficiente sua atividade.

Um aspecto importante a ser ressaltado é que neste tipo de operação não há chamada de margem de garantia e ajuste diários.

 

Conclusão

Antes de qualquer decisão, é importante que produtor faça seu planejamento e defina sua meta comercialização. Quando estiver numa situação semelhante sugerimos faça um orçamento comparando armazenagem x compra de opção na bolsa.

O único objetivo para se fazer este tipo de operação é assegurar o lucro da atividade, ao passo que mitigamos os riscos. E como vimos, este primeiro semestre os derivativos negociados na bolsa foram financeiramente viáveis em comparação ao custo de armazenagem.

Espero que este texto possa ter acrescentado mais uma ferramenta para melhorar sua comercialização.

A Hedge Agro é especializada neste tipo de operação, além destas estratégias apresentadas existem uma infinidade de outras que podem ser utilizadas em momentos específicos. Entre em contato conosco para saber mais.

Se tiver alguma dúvida ou sugestão, deixe seu comentário abaixo. Se você gostou do texto, compartilhe com seu colega produtor.

Grande agraço, Ronan Grings.


Notas:

[1] Produtor já vinha carregando o produto

[2] Decorre em função da temperatura e do tempo de armazenamento

[3] CCMK18

[4] 27/04/2018

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